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title: "Como Criar Ciranda e Coco de Roda com IA em 2026 | Mu IA"
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description: "Como criar ciranda e coco de roda com IA: prompts, andamento, instrumentos, canto responsorial, palmas, dança, mixagem, respeito cultural e fluxo na DAW."
date: "2026-08-08"
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# Como Criar Ciranda e Coco de Roda com IA em 2026 | Mu IA

Como criar ciranda e coco de roda com IA: prompts, andamento, instrumentos, canto responsorial, palmas, dança, mixagem, respeito cultural e fluxo na DAW.


Para criar **ciranda ou coco de roda com IA** sem receber forró genérico, samba de roda, música infantil ou uma trilha “nordestina” sem identidade, descreva primeiro a relação entre **pulso, canto coletivo, palmas, percussão e dança**. Na ciranda, priorize andamento moderado, sensação circular, voz condutora e coro fácil de responder. No coco de roda, destaque pulsação mais marcada, palmas, resposta vocal, percussão seca e energia corporal. A resposta curta é: **gere primeiro um ciclo rítmico simples e convincente, depois acrescente chamada, resposta, letra e variações, finalizando a faixa na DAW**.

Um prompt como “faça uma música folclórica do Nordeste” é amplo demais. Para ciranda, experimente: “ciranda pernambucana de andamento moderado, canto coletivo em português do Brasil, refrão responsorial, bumbo e caixa discretos, percussão orgânica, melodia simples e repetitiva, clima comunitário, sem sanfona protagonista e sem marchinha”. Para coco: “coco de roda nordestino, palmas secas, ganzá, pandeiro e zabumba leve, chamada e resposta vocal, versos curtos, energia de roda, sem baião de sanfona e sem samba-enredo”.

Ferramentas como [Suno AI](/blog/suno-ai-como-criar-musicas-ia/), [Udio](/blog/udio-como-criar-musicas-ia-guia-completo/) e outros geradores podem produzir boas maquetes, mas nem sempre distinguem tradições populares brasileiras próximas. Use a IA para testar forma, duração e arranjo; use escuta, pesquisa e participação de músicos e brincantes para corrigir linguagem, interpretação e contexto.

Este guia amplia o mapa de [prompts para gêneros brasileiros](/blog/prompts-musica-ia-generos-brasileiros-2026/) e complementa os materiais sobre [forró com IA](/blog/como-criar-forro-com-ia-2026/), [maracatu com IA](/blog/como-criar-maracatu-com-ia-2026/) e [frevo com IA](/blog/como-criar-frevo-com-ia-2026/). Ciranda, coco, forró e maracatu podem conversar em uma produção contemporânea, mas **não são nomes intercambiáveis para a mesma música**.

## Ciranda ou coco de roda: qual direção escolher?

A escolha depende da função do pulso e da experiência que a faixa deve criar. A ciranda costuma pedir uma sensação ampla, repetitiva e acolhedora, adequada ao movimento coletivo em roda. O coco frequentemente pede acentos mais secos, versos mais percussivos e diálogo intenso entre solista, coro, palmas e dança.

| Direção | Elementos prioritários | Voz | Melhor uso da demo |
|---|---|---|---|
| Ciranda tradicional | pulso moderado, coro coletivo, melodia circular, percussão orgânica | solista e coro | estudo, apresentação cultural, composição |
| Ciranda contemporânea | base circular, violão ou guitarra discreta, baixo simples, textura ambiente | opcional | faixa autoral, documentário, vídeo |
| Coco de roda | palmas, ganzá, pandeiro, tambores, chamada e resposta | solista e coro | dança, palco, oficina, composição |
| Coco de embolada | versos rápidos, dicção rítmica, pandeiro e espaço para improviso | dupla ou solista | estudo de métrica, performance, demo |
| Fusão eletrônica | núcleo rítmico preservado, graves e synths adicionados em camadas | opcional | remix, DJ set, conteúdo digital |

Escolha **ciranda** quando o centro for a continuidade do movimento, o refrão compartilhável e a sensação de participação coletiva. Escolha **coco de roda** quando palmas, pisada, ataque percussivo e alternância entre chamada e resposta precisarem conduzir o arranjo.

Se quiser combinar as duas linguagens, não coloque dez rótulos no primeiro prompt. Gere uma base de ciranda ou de coco, confira se ela é reconhecível e só depois introduza elementos da outra direção. Essa separação facilita entender qual camada fez a música perder identidade.

Também evite nomes de artistas, grupos, mestres ou obras como atalho. Descreva características musicais observáveis: andamento, instrumentos, forma, densidade, timbre, função do coro e tipo de fraseado. Isso reduz imitação indevida e obriga o briefing a ficar musicalmente útil.

## O que colocar no prompt de ciranda

Uma boa solicitação de ciranda pode ser organizada em sete campos:

```text
[origem e direção] + [andamento] + [base percussiva] + [melodia]
+ [voz e coro] + [estrutura] + [restrições]
```

Detalhe principalmente:

- **Pulso regular e moderado**, com sensação de caminhada ou balanço circular.
- **Melodia simples e repetível**, que possa ser aprendida rapidamente pelo coro.
- **Voz condutora e resposta coletiva**, com frases de tamanho compatível.
- **Percussão orgânica**, sem excesso de viradas ou camadas cinematográficas.
- **Baixo discreto**, sustentando a roda sem transformar a música em pop genérico.
- **Forma acumulativa ou cíclica**, em vez de depender obrigatoriamente de verso, pré-refrão e refrão pop.
- **Dinâmica comunitária**, com espaço para vozes diferentes e pequenas imperfeições humanas.

Se o modelo gerar uma música infantil, retire palavras como “brincadeira alegre” e acrescente “interpretação adulta, poesia popular, coro comunitário, sem estética de desenho infantil”. Se virar canção pop, peça menos bateria, menos pads, menos progressões grandiosas e mais repetição melódica sobre percussão orgânica.

A ciranda também não precisa ser lenta. O ponto é manter a clareza do passo e do coro. Um andamento alto demais pode transformar a pulsação em marchinha; um andamento baixo demais pode tirar a sensação de roda. Teste pequenas variações com o mesmo texto.

## O que colocar no prompt de coco de roda

No coco, descreva a base de forma mais física e percussiva:

- **Palmas secas e regulares**, integradas ao groove.
- **Ganzá, pandeiro e tambores** com papéis separados.
- **Pisada ou marcação corporal** sugerida pelo acento rítmico.
- **Chamada e resposta** entre voz principal e coro.
- **Versos curtos e rítmicos**, sem excesso de sílabas por frase.
- **Pausas para resposta**, evitando uma voz principal contínua.
- **Energia crescente**, com entradas graduais do coro e da percussão.

A palavra “coco” isolada pode confundir modelos e até acionar referências sem relação musical. Escreva “coco de roda nordestino brasileiro” ou “coco nordestino de tradição oral”, seguido da instrumentação e do formato vocal.

Para coco de embolada, destaque métrica, dicção e improviso, mas não espere que a IA produza automaticamente versos culturalmente consistentes. Gere uma guia, revise a prosódia e regrave com intérpretes capazes de sustentar velocidade, humor e clareza sem atropelar as palavras.

## BPM: como testar sem transformar um gênero em outro

O [BPM](/glossario/bpm/) ajuda a organizar testes, mas não substitui a levada. Geradores podem contar o pulso em dobro ou pela metade, especialmente quando há palmas e subdivisões rápidas.

Como referência de produção, experimente:

- **Ciranda moderada:** aproximadamente 76 a 100 BPM.
- **Ciranda mais viva:** aproximadamente 94 a 116 BPM.
- **Coco de roda moderado:** aproximadamente 96 a 122 BPM.
- **Coco mais enérgico:** aproximadamente 116 a 138 BPM.
- **Coco de embolada:** teste a base entre 104 e 132 BPM, ajustando a densidade dos versos.

Essas faixas não são classificações históricas nem limites culturais. Elas servem para comparar saídas. Gere, por exemplo, a mesma ciranda em 84, 96 e 108 BPM. Depois avalie se o coro respira, se a melodia continua fácil e se a percussão sustenta a dança sem correr.

Use o [metrônomo com tap tempo](/ferramentas/metronomo-bpm-tap-tempo/) para medir referências e conferir o áudio gerado. Se uma saída pedida a 120 BPM for percebida a 60, o modelo provavelmente tratou suas palmas ou tambores como subdivisão.

## Prompts prontos para ciranda com IA

### Ciranda com canto coletivo

```text
Ciranda pernambucana autoral, 92 BPM, português do Brasil, pulso circular
moderado, bumbo e caixa discretos, ganzá suave, baixo acústico simples e
violão de apoio. Voz principal adulta conduz versos curtos; coro comunitário
responde com refrão fácil e repetitivo. Introdução percussiva, chamada,
resposta, duas estrofes, crescimento do coro e final coletivo. Sem marchinha,
sem estética infantil, sem sanfona protagonista e sem imitar obras reais.
```

### Ciranda instrumental para documentário

```text
Ciranda instrumental brasileira, 88 BPM, percussão orgânica e espaçosa,
pulso de roda, bumbo grave moderado, caixa leve, ganzá, violão nylon e flauta
com tema simples de oito compassos. Clima humano e contemplativo, dinâmica
crescente, dois minutos, final resolvido. Sem vocal, sem trilha épica, sem
bateria pop e sem transformar a levada em valsa ou marchinha.
```

### Ciranda contemporânea com guitarra

```text
Ciranda brasileira contemporânea, 102 BPM, base percussiva orgânica, baixo
simples, guitarra elétrica limpa com frases curtas, voz em português do Brasil
e coro responsorial. Refrão coletivo, harmonia econômica, textura ambiente
muito discreta, estrutura cíclica e final em fade curto. Sem indie rock genérico,
sem bateria pesada, sem synth dominante e sem imitar artistas reais.
```

### Vinheta inspirada em ciranda

```text
Vinheta de 15 segundos inspirada em ciranda pernambucana, pulso moderado,
ganzá, bumbo leve, palmas suaves e coro coletivo cantando uma frase original
de cinco a sete palavras em português do Brasil. Entrada imediata, repetição
uma vez e acorde final claro. Sem estética infantil e sem melodia existente.
```

## Prompts prontos para coco de roda com IA

### Coco de roda com chamada e resposta

```text
Coco de roda nordestino brasileiro, 116 BPM, palmas secas, ganzá, pandeiro,
zabumba leve e tambor de apoio. Voz principal adulta canta versos curtos em
português do Brasil; coro responde no fim de cada frase. Energia corporal,
forma cíclica, introdução apenas com palmas, entrada gradual da percussão,
refrão coletivo e final seco. Sem forró de sanfona, sem samba-enredo, sem
reggaeton e sem imitar grupos ou mestres reais.
```

### Coco instrumental para dança

```text
Coco de roda instrumental, 124 BPM, palmas protagonistas, ganzá contínuo,
pandeiro com acentos claros, tambores secos e baixo acústico discreto.
Trinta e dois compassos, pausa curta, repetição com mais intensidade e final
marcado. Espaço para dança e pisada, sem melodia pop, sem metais de frevo,
sem sanfona e sem bateria eletrônica dominante.
```

### Coco de embolada como guia vocal

```text
Base de coco de embolada brasileiro, 112 BPM, pandeiro firme, palmas discretas
e grave leve. Duas vozes adultas alternam versos originais curtos, dicção clara,
rimas simples e resposta imediata. Deixar pausas para improviso e evitar excesso
de palavras por compasso. Sem copiar emboladores reais, sem caricatura de sotaque,
sem conteúdo ofensivo e sem acompanhamento harmônico cheio.
```

### Fusão de coco com produção eletrônica

```text
Fusão autoral de coco de roda e música eletrônica, 122 BPM. Preservar palmas,
ganzá, pandeiro, chamada e resposta; adicionar kick eletrônico controlado,
subgrave curto e synth percussivo apenas como apoio. Voz em português do Brasil,
refrão coletivo, break com palmas e retorno do groove. Sem EDM de festival,
sem four-on-the-floor constante, sem reggaeton e sem apagar a percussão orgânica.
```

## Um fluxo de produção em sete etapas

### 1. Defina o uso final

Escreva em uma frase: “ciranda de dois minutos para abertura de documentário”, “coco de 30 segundos para vídeo de dança” ou “base de embolada para dois intérpretes gravarem depois”. Duração, estrutura e densidade mudam conforme o uso.

### 2. Gere apenas a base rítmica

Comece sem letra e com poucos instrumentos. Na ciranda, teste pulso, bumbo, caixa e ganzá. No coco, teste palmas, ganzá, pandeiro e tambor. Se a base já soa como outro gênero, adicionar voz não resolverá.

### 3. Crie uma chamada curta

Escreva uma frase original que caiba confortavelmente no pulso. Grave você mesmo uma guia falada ou cantada quando a plataforma aceitar referência de áudio. Evite encher o compasso; o coro precisa de tempo para responder.

### 4. Gere a resposta separadamente

A resposta deve ser mais simples do que a chamada. Ela pode repetir palavras, concluir a frase ou sustentar uma vogal. Se o gerador sobrepuser solista e coro, peça “voz principal termina completamente antes da entrada do coro”.

### 5. Faça variações por função

Gere uma versão com menos baixo, outra só com percussão e outra com coro mais curto. Alterar uma variável por rodada é melhor do que pedir “deixe mais autêntico”, instrução vaga que pode apenas adicionar clichês.

### 6. Separe os stems

Exporte [stems](/glossario/stem/) quando a plataforma permitir: percussão, palmas, baixo, harmonia, voz principal e coro. Se houver apenas estéreo, a [separação de instrumentos com IA](/blog/separacao-stems-ia-isolar-vocais-instrumentos/) pode ajudar, mas transientes de palmas e pandeiro frequentemente deixam artefatos.

### 7. Regrave e finalize na DAW

Na [DAW](/glossario/daw/), reorganize entradas, corte repetições, ajuste o espaço entre chamada e resposta e substitua partes artificiais. Para uma produção pública ou cultural, convide músicos e intérpretes ligados à prática que você está representando.

## Como escrever letras sem cair em caricatura

Ciranda e coco não precisam de um catálogo de palavras regionais para parecerem brasileiros. Uma boa letra começa com situação, narrador e ação concreta. Pode falar de encontro, trabalho, mar, bairro, memória, festa, deslocamento, afeto ou conflito sem transformar o Nordeste em cenário turístico genérico.

Para orientar a IA:

1. Defina quem canta: uma pessoa, uma dupla, um grupo ou uma comunidade.
2. Determine o tema em uma frase.
3. Limite o tamanho de cada verso.
4. Escreva você mesmo a chamada principal.
5. Peça resposta curta e repetível.
6. Revise vocabulário, prosódia e referências locais.
7. Retire qualquer expressão inventada ou sotaque forçado.

Não peça “português nordestino exagerado”. Sotaques nordestinos são diversos, e caricaturá-los empobrece a obra. Prefira “português do Brasil com dicção natural” e, se o projeto depender de uma fala regional específica, trabalhe com intérpretes daquela região.

Para desenvolver uma letra antes da geração musical, use o guia de [letras de música com IA](/blog/letras-de-musica-com-ia-2026/). A IA pode sugerir variações, mas a decisão sobre métrica, sentido e voz autoral continua sendo sua.

## Mixagem: como preservar palmas, coro e movimento

A mixagem precisa manter a sensação coletiva sem transformar tudo em um bloco agressivo de médios.

- **Palmas:** controle picos e frequências ásperas, mas preserve diferenças naturais entre ataques.
- **Ganzá:** filtre graves desnecessários e evite volume constante alto, que cansa rapidamente.
- **Pandeiro:** separe platinelas, pele e grave pelo arranjo antes de usar compressão pesada.
- **Tambores:** mantenha corpo e transiente; não force subgrave cinematográfico em uma base que pede som orgânico.
- **Voz principal:** deixe-a clara o suficiente para apresentar a chamada sem parecer isolada do grupo.
- **Coro:** abra com moderação no estéreo e preserve uma imagem central para funcionar no celular.
- **Baixo:** sustente o pulso sem competir com bumbo, zabumba ou tambores.
- **Reverb:** use ambientes curtos ou médios; caudas longas podem borrar palavras e palmas.

Automatize a relação entre solista e coro em vez de comprimir ambos até o mesmo volume. Nas respostas, o coro pode crescer; durante a chamada, ele deve recuar ou silenciar. Confira a [equalização](/glossario/equalizacao/) e a [compressão](/glossario/compressao/) como ferramentas de clareza, não como substitutas de um arranjo bem distribuído.

Teste em fones, celular, caixa pequena e sistema com grave. Se as palmas sumirem no celular, talvez dependam demais de frequências graves ou do estéreo. Se o coro virar ruído, reduza dobras e reveja a dicção antes de aumentar agudos.

## Erros comuns e como corrigir

### A ciranda virou música infantil

Retire “lúdico”, “brincadeira”, “fofo” e referências escolares. Peça voz adulta, poesia popular, andamento moderado, coro comunitário e instrumentação orgânica sem sinos ou efeitos infantis.

### O coco virou forró ou baião

Reduza a sanfona ou elimine-a. Reforce palmas, ganzá, pandeiro, chamada e resposta. Escreva “sem sanfona protagonista, sem levada de baião e sem piseiro”. Se quiser uma fusão, construa primeiro um coco reconhecível.

### O resultado virou samba de roda

Detalhe a origem e a base desejadas, evite cavaquinho como protagonista e descreva o padrão de palmas e tambores. Não use apenas “roda brasileira”, pois esse rótulo abre muitas possibilidades para o modelo.

### A voz principal não deixa o coro responder

Encurte os versos e escreva pausas explicitamente: “chamada de dois compassos, pausa de dois compassos para o coro”. Gere voz e coro separados quando possível.

### As palmas soam como uma máquina

Peça “grupo pequeno de palmas humanas com pequenas variações de ataque e intensidade”. Na DAW, use várias gravações reais, evite alinhamento perfeito e distribua levemente as camadas no estéreo.

### A letra empilha clichês regionais

Defina uma cena concreta e remova palavras usadas apenas para sinalizar regionalidade. Peça revisão de pessoas que conheçam a comunidade, a festa ou o território representado.

### A percussão está cheia demais

Limite o conjunto a três ou quatro funções. Por exemplo: palmas, ganzá, pandeiro e tambor grave. Adicione baixo e harmonia somente depois que o groove estiver legível.

## Usos práticos para as demos

Uma demo bem organizada pode servir para:

- **Compositores:** testar chamada, resposta, métrica e forma cíclica.
- **Grupos culturais:** comparar propostas antes do ensaio, sem substituir repertório e transmissão humana.
- **Professores:** demonstrar diferenças entre pulso, coro, palmas e instrumentação.
- **Dançarinos e coreógrafos:** criar bases temporárias com duração e andamento definidos.
- **Documentaristas:** aprovar clima e montagem antes de licenciar ou gravar a trilha final.
- **Podcasts e rádios:** desenvolver vinhetas curtas com refrão original.
- **Artistas independentes:** testar fusões com guitarra, eletrônico, rap ou música ambiente.
- **Criadores de vídeo:** produzir cortes de 15 a 30 segundos para [Reels, TikTok e Shorts](/blog/trilhas-curtas-ia-reels-tiktok-shorts-2026/).

Se o áudio for entregue para cliente, registre escopo, duração, revisões, formatos e direitos no [contrato de entrega de música com IA](/blog/contrato-entrega-musica-ia-clientes-2026/). Não prometa exclusividade automática só porque a faixa foi gerada a partir de um prompt próprio.

## Direitos autorais, créditos e respeito cultural

Ciranda e coco estão ligados a pessoas, comunidades, festas, territórios, mestres, brincantes, danças e formas de transmissão. Um modelo generativo pode aproximar timbres e padrões, mas não substitui contexto nem transforma uma saída automática em representação autorizada de uma tradição.

Antes de publicar ou vender:

- Não peça imitação de artista, mestre, grupo ou gravação real.
- Não use melodias, letras, samples ou chamadas identificáveis sem autorização.
- Não clone vozes nem simule a participação de pessoas que não participaram.
- Não apresente a faixa como registro de uma comunidade, roda ou grupo existente.
- Guarde prompts, versões, stems, contratos, consentimentos e créditos.
- Confira se o plano do gerador permite o uso comercial pretendido.
- Contrate e credite músicos, cantores, percussionistas e consultores quando o projeto tiver finalidade cultural, institucional ou de grande circulação.
- Revise o guia de [direitos autorais de música com IA no Brasil](/blog/direitos-autorais-musica-ia-brasil/).

A licença da ferramenta não resolve sozinha direitos sobre repertório, voz, performance, sample, imagem e identidade cultural. Para publicidade, cinema, bibliotecas e outras explorações comerciais, consulte também o material sobre [licenciamento e sync](/blog/licenciar-musica-ia-bibliotecas-sync-2026/).

## Checklist antes de publicar

- A direção está definida: ciranda, coco de roda, embolada ou fusão.
- Pulso, palmas e percussão sustentam a dança sem virar outro gênero.
- Chamada e resposta têm pausas claras.
- O coro consegue aprender e repetir a frase.
- A voz usa português do Brasil natural, sem caricatura de sotaque.
- A instrumentação não está cheia demais.
- A letra evita clichês e referências inventadas.
- Não há pedido de imitação de artistas, mestres ou grupos reais.
- Melodia, letra, samples e vozes foram checados quanto a direitos.
- Participantes e revisores receberam créditos combinados.
- O plano da ferramenta permite o uso pretendido.
- A mix foi testada em diferentes sistemas.

## Perguntas frequentes

### Qual é o melhor prompt para ciranda no Suno ou Udio?

Comece com: “ciranda pernambucana autoral, 92 BPM, pulso circular moderado, bumbo e caixa discretos, ganzá suave, voz adulta em português do Brasil e coro responsorial com refrão simples, sem marchinha, sem estética infantil e sem imitar obras reais”. Depois ajuste duração, tema e formação.

### Qual é o melhor prompt para coco de roda com IA?

Use: “coco de roda nordestino brasileiro, 116 BPM, palmas secas, ganzá, pandeiro e tambores, chamada curta da voz principal e resposta coletiva, versos originais em português do Brasil, forma cíclica, sem forró de sanfona, sem samba-enredo e sem imitar grupos reais”.

### Ciranda e coco de roda são a mesma coisa?

Não. Ambos podem envolver canto coletivo, percussão e dança, mas possuem histórias, práticas, pulsações e relações corporais próprias. Escolha um núcleo por geração e trate combinações como fusões conscientes, não como sinônimos.

### Como impedir que o coco vire forró?

Reduza ou retire a sanfona, reforce palmas, ganzá, pandeiro, tambores e chamada e resposta. Acrescente “sem baião, sem piseiro e sem sanfona protagonista” apenas quando o modelo insistir nessa direção.

### Como deixar o coro mais natural?

Use frases curtas, grave várias pessoas reais quando possível e evite alinhar todas as entradas perfeitamente. Peça pequenas diferenças de timbre e intensidade, mas mantenha a dicção compreensível. Na mix, não espalhe todas as vozes pelos extremos do estéreo.

### Posso misturar ciranda ou coco com música eletrônica?

Sim. Preserve primeiro o pulso, as palmas, a percussão e a lógica vocal. Depois adicione kick, subgrave e synths em camadas, sem deixar a base eletrônica apagar o movimento coletivo. Declare a faixa como fusão autoral quando essa for a proposta.

### Posso monetizar uma ciranda ou um coco criado com IA?

Pode ser possível se a licença do plano permitir e se todos os elementos estiverem autorizados. Revise semelhanças com repertório existente, obtenha consentimento para vozes e performances, documente o processo e não anuncie participação de comunidades ou artistas que não participaram.

## Conclusão

Criar ciranda e coco de roda com IA exige mais do que pedir “música nordestina”. Defina a direção, descreva pulso, palmas, percussão, chamada, resposta, coro e forma, gere camadas simples e confira se a música continua reconhecível antes de acrescentar produção eletrônica ou arranjo harmônico.

A melhor saída costuma ser híbrida: IA para prototipar andamento, duração e estrutura; escuta e pesquisa para orientar o vocabulário musical; músicos e intérpretes para dar corpo às palmas, vozes e percussões; e DAW para editar, mixar e documentar a versão final.

Para continuar a série brasileira, explore os guias de [forró com IA](/blog/como-criar-forro-com-ia-2026/), [maracatu com IA](/blog/como-criar-maracatu-com-ia-2026/), [frevo com IA](/blog/como-criar-frevo-com-ia-2026/), [carimbó e guitarrada com IA](/blog/como-criar-carimbo-guitarrada-com-ia-2026/) e o hub de [prompts para gêneros brasileiros](/blog/prompts-musica-ia-generos-brasileiros-2026/).
